Esse filme tem muitos méritos. Um deles é cumprir, do ponto de vista técnico, a maior tática para legalizar o aborto em qualquer lugar: não ser totalmente sincero.
Primeiro veste uma posição neutra de que o IPAS não levanta nenhuma bandeira nesta causa. Nada mais falso. O IPAS é uma das maiores organizações que promovem o aborto no mundo inteiro, especializada em treinar aborteiros em países onde o aborto é ilegal. No nosso país ele treina esses médicos no hospital do Jabaquara para a aspiração manual intra uterina, técnica de sucção que destroça o feto. E recebem muito dinheiro norte-americano para isso.
Segundo, novamente sob a faixada da neutralidade, cria-se um jogo de perguntas para chegar num resultado comum que levaria, segundo a opinião das pessoas, à própria descriminalização do aborto, maior argumento para a legalização da prática. “Sou contra o aborto, mas também contra a criminalização”. Ora, se não há crime, logo se torna legal. Portanto, logo se vê que nada há de neutro na campanha. Mas traveste-se de neutro para não cair no crime de apologia ao crime. Nem o IPAS, nem a Santa Clara são tão ingênuos para se posicionarem as claras nisto.
Querer criar um debate sobre o aborto sob o pretexto democrático é não saber precisamente nem o que é debate, nem democracia. Se sabemos que o nascituro é um ser humano (pois não é um sapo ou uma coisa, é da nossa espécie e tem um coração pulsante), se sabemos que todos para chegarmos aonde chegamos tivemos de passar por essa fase, não há o que discutir. Não vemos por aí pessoas convocando debates sobre a descriminalização do assalto, nem do sequestro (nem se pretende diminuir a mortalidade paterna por crimes maus feitos). Não se debate negociar uma vida humana, ainda mais na sua fase mais indefesa. Se sabemos que democracia é o governo do povo, pelo povo, para o povo, mas excluímos o povo ainda por nascer, não estamos numa democracia, mas num regime totalitarista.